terça-feira, maio 26, 2009

"O jogo de palavras"

O tempo modifica as coisas.
E as nossas palavras.. ah, elas sofrem com o tempo.

As letras se transformam, se recombinam, se juntam novamente.. para depois fazer tudo denovo.. Mudando nossas vidas, pensamentos, idéias e atitudes.
As letras que se combinam como querem. Como vontade própria.


Escreves tu, escreve eu para pensarmos, pelo ou menos por um pouco, que podemos controlá-las.. assim talvez, também, controlar as nossas vidas à todo custo.
Escrevemos e queremos deixar marcado o que sentimos, achamos. Mas apenas mais uma tentativa de provar às letras que podemos com elas.. Mas não. Elas parecem ter vida própria. Quando querem mudar nossas vidas, tomam seu próprio rumo, formando novos caminhos.
E nós? Nós ficamos sem palavras. Sem saber o que dizer. Elas dominaram a gente. Não conseguimos mais colocá-las do jeito que queremos.

E aí vem o silêncio. O espaço entre a formação de novas palavras. A bagunça das letras, a calma do nosso coração. Que se transforma na loucura da nossa mente.
Pois não nos conformamos com aquela calma já que ela não é explicável por nós.
Não há palavras para dizer, então não se deve dizer.

"Ah, coração bobo! Que pensas tu? Que podes viver bem com toda essa bagunça das letras?
A bagunça de minhas idéias. Eu sou a mente. Eu que devo controlar esse corpo.
Que dizes, corpo? Não estou certo?"

O nosso conflito interno. O silêncio se acaba se que nem mesmo haja conclusão da dúvida.. mas ela volta.
Não que isso queira dizer que ela vá ser resolvida, mas apenas que é necessária.
E mostra-nos como não somos tão potentes quanto pensamos ou achamos.
O silêncio com sua bagunça de palavras, construindo nosso caráter.
A nossa força e fraqueza.
Nos ensinando como lidar.

Letras de cimento,
prédios de palavras,
moradores sentimentos.

Queremos ir pra casa.
A nossa casa.
A casa onde tudo se junta.
Não há problema.
Lar.
Lá nós crescemos.
Sim, não há como não crescer.

Quem pode me culpar por acreditar?

Os fins justificam os meios.
Mas os meios explicam os verdadeiros fins.
Sou o que penso, ou o que faço? Sou o que dizem de mim ou o que quero ser?
Sei que sou aquilo que se não vê, sou aquilo que amo, e sou aquilo que quero ser. Posso ser flor, posso ser amor, como posso ser mais um na multidão. Posso ser o vento, o tempo, palavras, passado, presente, paixão. 
Sou o que aprendi, o que acredito, sou as lágrimas que chorei, os brinquedos que brinquei e as risadas que dei. Sou uma alma em busca de saber quem é, mas acima de tudo, sou o quero ser, e sou o quanto estou disposta a lutar. Sou meus sentimentos, e a minha imagem no espelho, sou meu nome também, mas poderia ser Estela, se minha mãe tivesse preferido. Sou a que serei um dia, e sou a que já fui outrora. Tudo em mim. 
Tudo em mim é o que sou. E o fora de mim, pode ser eu. 
O que sou eu? Talvez, quando deixar de o ser, descobrirei.