domingo, agosto 22, 2010

Porque tem um vômito, um azedo, um amargo dentro de mim.
É você, que eu quero colocar pra fora.
É você que faz parte de mim e vai embora.
Leva o doce, leva o bom, me leva
mas me deixa aqui
com essa ânsia, que é de vômito,
mas é ânsia mesmo é de te ter.

E choro.
E não choro, na verdade.
Não posso.
Minha vontade era chorar e te afogar nas minhas lágrimas,
te fazer engolir cada uma das palavras que me disseste
e te deixar à deriva.
Te deixar e ir embora.
Mas lá consigo..

Fujo e me prendo.
Me solto e volto a ti.
É dia, é lembrança, negação e história.

Mas pensa que sonho denovo?
pensa que amo denovo?
pensa que espero denovo?

Choro vômito, vomito lágrimas.
Mas não faço nada.
É tudo por dentro.
Me esquece.. que eu esqueço fácil.

Fico aqui.
com esse pedaço entalado,
acabado e incabado.
E me deixo ir..

sábado, maio 29, 2010

o detalhe me atrai e me conquista. é a minúcia, é a entrelinha.
quero ver o não visto, ver além e entender.
ouvir o não dito e calar.
nem precisa falar.

deixa assim..

sexta-feira, maio 07, 2010

Vem depressa
Que eu preciso dessa
Dessa história de amor
Um dia disse que não precisava
Mas a vida veio e, sempre certa,
Me ensinou.

Ensinou do vazio, da falta, da busca.
Ensinou de mim, das estradas, da fuga.

Vem depressa
Que eu preciso dessa história de amor.
Do aconchego, do abraço, do sorriso: do amor.
Do pertencer, do ter, do ser: amor.

Nem se despeça
Só vem depressa
Que eu preciso de amor.

domingo, fevereiro 07, 2010

Deixa esse tempo passar.
Tempo, tempo, amigo de velhos tempos.
Deixa a areia enterrar essa história
e levar os sentimentos embora.
Ou o medo embora.
Ou me levar embora
em vento de amor ou outro vento qualquer.

A escolha não cabe a mim.
Deixa, deixa..
Deixa essa menina ser feliz.

sábado, novembro 07, 2009

Amor-te

Eu acredito no amor. Acredito no amor como acredito na morte.
Certo, tangível.
Acredito no seu poder e no seu abraço.
Do amor. Mas da morte também.

É difícil descobrir que amor e morte andam juntos.
E pior é saber que o amor não a quer abandonar.

É difícil saber que o amor não descongela a frieza da morte.
A morte é quem ensina o amor a viver.

É complicado entender como, nas mãos dadas,
não esfria a morte o tão contraditório amor.
Nas mãos dadas do casal que dá as mãos pela última vez.
Nas mãos dadas da mãe e do filho que se vai.
Nas mãos dadas da morte e do amor.

terça-feira, setembro 29, 2009

Ela é forte.
Forte, forte. Suas sobrancelhas não a deixam negar.
Nem sua atitude que parece nada esconder.
Ou temer.

Mas é força feita de lágrimas e amor.
E que rapidinho se desfaz.
E aí é força despedaçada, força fraca,
é fraqueza de amor.
e de sonho.

que fraqueza que nada.
quem disse que amor e sonho é fraqueza?

terça-feira, maio 26, 2009

"O jogo de palavras"

O tempo modifica as coisas.
E as nossas palavras.. ah, elas sofrem com o tempo.

As letras se transformam, se recombinam, se juntam novamente.. para depois fazer tudo denovo.. Mudando nossas vidas, pensamentos, idéias e atitudes.
As letras que se combinam como querem. Como vontade própria.


Escreves tu, escreve eu para pensarmos, pelo ou menos por um pouco, que podemos controlá-las.. assim talvez, também, controlar as nossas vidas à todo custo.
Escrevemos e queremos deixar marcado o que sentimos, achamos. Mas apenas mais uma tentativa de provar às letras que podemos com elas.. Mas não. Elas parecem ter vida própria. Quando querem mudar nossas vidas, tomam seu próprio rumo, formando novos caminhos.
E nós? Nós ficamos sem palavras. Sem saber o que dizer. Elas dominaram a gente. Não conseguimos mais colocá-las do jeito que queremos.

E aí vem o silêncio. O espaço entre a formação de novas palavras. A bagunça das letras, a calma do nosso coração. Que se transforma na loucura da nossa mente.
Pois não nos conformamos com aquela calma já que ela não é explicável por nós.
Não há palavras para dizer, então não se deve dizer.

"Ah, coração bobo! Que pensas tu? Que podes viver bem com toda essa bagunça das letras?
A bagunça de minhas idéias. Eu sou a mente. Eu que devo controlar esse corpo.
Que dizes, corpo? Não estou certo?"

O nosso conflito interno. O silêncio se acaba se que nem mesmo haja conclusão da dúvida.. mas ela volta.
Não que isso queira dizer que ela vá ser resolvida, mas apenas que é necessária.
E mostra-nos como não somos tão potentes quanto pensamos ou achamos.
O silêncio com sua bagunça de palavras, construindo nosso caráter.
A nossa força e fraqueza.
Nos ensinando como lidar.

Letras de cimento,
prédios de palavras,
moradores sentimentos.

Queremos ir pra casa.
A nossa casa.
A casa onde tudo se junta.
Não há problema.
Lar.
Lá nós crescemos.
Sim, não há como não crescer.