domingo, novembro 02, 2008

mas e se meus textos se perdem em um segundo de criança observando um desenho super empolgada ou vendo um casal a se olhar?
e se é um segundo de vento, um segundo de espanto, um segundo de intento.. um segundo do meu tempo.. e voa. 
um segundo de janela, de sol, de flor.
perdidos por aí estão meus textos.. numa abelha qualquer, numa beleza qualquer..
numa vida qualquer.
na vida. na vida que há em mim.

sexta-feira, julho 11, 2008

Livre, leve e solta..

sou pássaro e sou nuvem.
Quem vai me segurar?

quinta-feira, junho 19, 2008

Canção para Cecília

Pus meu sonho no navio
E o navio no ar.
Depois, vi que o navio começou a flutuar.

Nem mar, nem cor, nem choro.
Mas, depois vi que o navio levava meu tesouro.

Nem mar, nem cor, nem choro..
Pra quê eu vou chorar?

Talvez um dia o navio volte,
mas só se tiver de voltar.
Nem mar, nem cor, nem choro,
nem navio a naufragar.
Talvez, se a música que ela ouvia não falasse de um trem que deveria quebrar, ela não tivesse notado como haviam coisas que deveriam ser quebradas em sua vida. Talvez até seu coração que já estava assim, na verdade precisasse disso.
Olhando para o assento ao lado, lembrou-se de alguns versos que lera dias antes.. Quem ela desejava que estivesse ali? Talvez, se ela fosse menos complicada.. Se soubesse escrever, cantar ou, ao menos, desenhar! Mas não, ela sabia que não era suficiente.
A idéia das idéias vomitadas não saía da sua cabeça e rodava por lá como aquele brinquedo que ela vira na estrada, mas que trazia sorrisos às crianças, enquanto sua dor de cabeça, só lhe trazia mal-estar. Se soubesse escrever, colocaria para fora tudo aquilo, mas até preferia o vômito, se sua barriga não doesse tanto, e se ela tivesse comido algo.

Tirou os fones de ouvido, preferindo ouvir o som de pouca conversa que ali estava e, principalmente, o som do vento que ela tanto gostava.
Precisava tomar algumas decisões, descobrir muitas coisas.

Descendo do ônibus, agora via os pensamentos das pessoas como via o céu. Bastante escuros. Pensou que fosse chover, e a lembrança da água fê-la ter vontade de afogar-se, mas, logo depois, percebeu que isso já acontecia.

segunda-feira, maio 12, 2008

Porque o tempo nem sente, nem mente.
o tempo desmente as besteiras que fazemos.

domingo, fevereiro 24, 2008

Na tarde em que o tempo me elevou por minutos, contando-me planos e me levando a passear por entre os rostos do presente num transe que ele mesmo, por seu poder incrível, criou...
Rostos de esperança, ou não, diferentes, interligados, distantes.. olhares distantes...
Olhares no futuro, no passado, no presente, no amigo tempo que me carrega; olhares nos medos, nas aflições, naquele pôr-do-sol, naquele espaço vazio ao lado, em quem poderia estar ocupando aquele espaço, o vazio da cadeira e do coração, a caneta que se movimenta nas mãos, corações que choram palavras escritas, que revelam quem são. Borrachas a mão nada significam além da sua incapacidade de apagar o mais que banal.

Misturam-se cores e letras, nos cadernos e nas mentes.
Misturam-se idéias e ideais na aula e nas mentes.
Misturam-se sentimentos.. apenas nos corações.
Tudo traduzido em seus olhares.

O tempo não pôde me contar seus pensamentos e anseios, mas me ensinou a olhar nos seus olhos e lê-los. O futuro é o que mais os ocupa, cheio de surpresas e incertezas. De certeza, sobra apenas suas vidas, seus passados e presentes. Se eu pudesse explicar o que o tempo me ensinou em minutos!

Fazendo seu constante trabalho, o tempo passeia por entre eles.. leva uns consigo, impacta a muitos, transforma a todos. Tudo traduzido nos olhares..

E por um toque de si, o tempo se vai, e volta...
Volta a trabalhar para mim, me trazendo de volta para essa grande sala de aula, tão pequena para o meu coração.