Talvez, se a música que ela ouvia não falasse de um trem que deveria quebrar, ela não tivesse notado como haviam coisas que deveriam ser quebradas em sua vida. Talvez até seu coração que já estava assim, na verdade precisasse disso.
Olhando para o assento ao lado, lembrou-se de alguns versos que lera dias antes.. Quem ela desejava que estivesse ali? Talvez, se ela fosse menos complicada.. Se soubesse escrever, cantar ou, ao menos, desenhar! Mas não, ela sabia que não era suficiente.
A idéia das idéias vomitadas não saía da sua cabeça e rodava por lá como aquele brinquedo que ela vira na estrada, mas que trazia sorrisos às crianças, enquanto sua dor de cabeça, só lhe trazia mal-estar. Se soubesse escrever, colocaria para fora tudo aquilo, mas até preferia o vômito, se sua barriga não doesse tanto, e se ela tivesse comido algo.
Tirou os fones de ouvido, preferindo ouvir o som de pouca conversa que ali estava e, principalmente, o som do vento que ela tanto gostava.
Precisava tomar algumas decisões, descobrir muitas coisas.
Descendo do ônibus, agora via os pensamentos das pessoas como via o céu. Bastante escuros. Pensou que fosse chover, e a lembrança da água fê-la ter vontade de afogar-se, mas, logo depois, percebeu que isso já acontecia.
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