quinta-feira, junho 19, 2008

Canção para Cecília

Pus meu sonho no navio
E o navio no ar.
Depois, vi que o navio começou a flutuar.

Nem mar, nem cor, nem choro.
Mas, depois vi que o navio levava meu tesouro.

Nem mar, nem cor, nem choro..
Pra quê eu vou chorar?

Talvez um dia o navio volte,
mas só se tiver de voltar.
Nem mar, nem cor, nem choro,
nem navio a naufragar.
Talvez, se a música que ela ouvia não falasse de um trem que deveria quebrar, ela não tivesse notado como haviam coisas que deveriam ser quebradas em sua vida. Talvez até seu coração que já estava assim, na verdade precisasse disso.
Olhando para o assento ao lado, lembrou-se de alguns versos que lera dias antes.. Quem ela desejava que estivesse ali? Talvez, se ela fosse menos complicada.. Se soubesse escrever, cantar ou, ao menos, desenhar! Mas não, ela sabia que não era suficiente.
A idéia das idéias vomitadas não saía da sua cabeça e rodava por lá como aquele brinquedo que ela vira na estrada, mas que trazia sorrisos às crianças, enquanto sua dor de cabeça, só lhe trazia mal-estar. Se soubesse escrever, colocaria para fora tudo aquilo, mas até preferia o vômito, se sua barriga não doesse tanto, e se ela tivesse comido algo.

Tirou os fones de ouvido, preferindo ouvir o som de pouca conversa que ali estava e, principalmente, o som do vento que ela tanto gostava.
Precisava tomar algumas decisões, descobrir muitas coisas.

Descendo do ônibus, agora via os pensamentos das pessoas como via o céu. Bastante escuros. Pensou que fosse chover, e a lembrança da água fê-la ter vontade de afogar-se, mas, logo depois, percebeu que isso já acontecia.

segunda-feira, maio 12, 2008

Porque o tempo nem sente, nem mente.
o tempo desmente as besteiras que fazemos.

domingo, fevereiro 24, 2008

Na tarde em que o tempo me elevou por minutos, contando-me planos e me levando a passear por entre os rostos do presente num transe que ele mesmo, por seu poder incrível, criou...
Rostos de esperança, ou não, diferentes, interligados, distantes.. olhares distantes...
Olhares no futuro, no passado, no presente, no amigo tempo que me carrega; olhares nos medos, nas aflições, naquele pôr-do-sol, naquele espaço vazio ao lado, em quem poderia estar ocupando aquele espaço, o vazio da cadeira e do coração, a caneta que se movimenta nas mãos, corações que choram palavras escritas, que revelam quem são. Borrachas a mão nada significam além da sua incapacidade de apagar o mais que banal.

Misturam-se cores e letras, nos cadernos e nas mentes.
Misturam-se idéias e ideais na aula e nas mentes.
Misturam-se sentimentos.. apenas nos corações.
Tudo traduzido em seus olhares.

O tempo não pôde me contar seus pensamentos e anseios, mas me ensinou a olhar nos seus olhos e lê-los. O futuro é o que mais os ocupa, cheio de surpresas e incertezas. De certeza, sobra apenas suas vidas, seus passados e presentes. Se eu pudesse explicar o que o tempo me ensinou em minutos!

Fazendo seu constante trabalho, o tempo passeia por entre eles.. leva uns consigo, impacta a muitos, transforma a todos. Tudo traduzido nos olhares..

E por um toque de si, o tempo se vai, e volta...
Volta a trabalhar para mim, me trazendo de volta para essa grande sala de aula, tão pequena para o meu coração.

sábado, novembro 17, 2007

Conto pra daqui uns 30 e tantos anos..

"É sim meus filhos.. eu era viva já quando house o atentado às torres gêmeas! Tsunami também, Bin Laden, Saddam Hussein, tanta coisa eu ouvi e vi! Se eu fiz alfabetização? haha Siim, claro! Engraçado.. até hoje não entendo porque mudaram isso! E parece que faz taaanto tempo.. mas mesmo assim ainda é normal pra mim.. No meu tempo.. tantas coisas.. tv de plasma, LCD, aii isso era o ápice da tecnologia pra nós.. Mp3 player! Por mais difícil que pareça de acreditar, meus filhos, sim, isso era A tecnologia! E as fitas cassetes! haha e as VHS também! essas eram antigas até na minha época, mas ainda lembro! Vocês nem sabem nem como é, ein?! hahaa.. É, é assim mesmo! Quando vocês crescerem, vão contar essas tecnologias de vocês pros seus filhos, e eles também vão rir! É o tempo.. o tempo e tudo que ele faz (...) Mas, e aí? Querem que eu faça um pãozinho de queijo pra o lanche?! :)"

Oh capitain..

No meio da noite, fiel acolhedora dos pensamentos intensos da minha mente e coração, penso na chama que arde no meu coração e muito sobre o que tanto se fala dela.
Não sei se sou só eu, mas tem uma indignação sabe?
Meu coração palpita. Me pergunto se ser sonhador mata, se sonhos matam.. E apesar da resposta de muitos ser sim, só consigo pensar na resposta não. Sonhos fazem viver. A falta de sonhos.. ah, essa sim mata! Mata por falta de vida. Mata às vezes até sem fazer morrer.. Os sonhos, por outro lado, matam muitas vezes também, mas seria o preço que alguns sonhos cobram muitas vezes, preço que serve pra pagar muitas outras vidas. É, o sonho, até com a morte, traz vida.
O que mora por aqui é uma sombra tipo peter pan, daquela que não se contém em se manter parada, ou apenas "imitando". Meu coração quer ver tanta mudança, aquele espírito revolucionário, sonhador, "quero fazer diferença".. é, é ele que mora por aqui.

Sim, as pessoas sempre dizem que isso passa, que isso esfria.. "ah, isso é coisa de moleque, coisa de jovem, coisa de criança.."
"Ah, - eu penso - como eu queria que isso não se esvaisse.." Penso se quando eu morrer todo esse mundo vai continuar do mesmo jeito..
Nada vai mudar? Ou talvez só eu vou mudar e me adaptar ao que me dizem?
Porque uma coisa é certa: o preço é caro.

Fico repassando isso na minha mente tantas vezes..
a chama interna.

acho que, realmente, mudar o mundo assim, de verdade, pode ser o caso de frustração dito por muitos, até porque é raríssimo alguém que mude alguma coisinha, como alguns pontinhos que encontramos na história dessa humanidade, mas mudar o que você pode, até onde você pode, entendendo que o seu melhor é o mais importante que você pode fazer.. e o seu mundo, pelo ou menos, viver uma diferença.. ah, isso sim! nada de frustrante..
renovador, eu diria..
apesar das reviravoltas dessa vida.

Na verdade, penso que todos têm uma sombra dessas, como sombra, o espírito sonhador, meio que revolucionário..acho que o problema é que nem todo mundo tem uma sombra assim, tipo peter pan!




Já dizia minha mãe: "Essa menina tsc tsc"
acho que nasci meio assim já.. hahaha
Fazer o quê né?

segunda-feira, novembro 05, 2007

a bóia.

Em um dia de férias, o pequeno vai ao parque aquático e, claro, leva consigo a sua bóia.
Ao chegar lá, conhece uma pequena donzela, que captura seu coração. Ela, por sua vez, não havia trazido sua bóia e ele, como perfeito cavalheiro, empresta sua bóia à ela. O começo de uma grande história de amor.

No dia seguinte, os dois voltam ao mesmo parque aquático. E que pena! Desta vez, foi o próprio menino que esqueceu sua bóia.A doce donzela, de mãos pequenas, tamanho também, corresponde o gesto anterior, emprestando sua bóia ao companheiro.
A oficialização do relacionamento.

Perguntado tempo depois sobre suas namoradas, ele lembra dela e responde: Sim, com certeza!